Cantareira fecha outubro com segundo maior nível para o mês em 10 anos, mas segue em atenção

  • 01/11/2026
(Foto: Reprodução)
Sistema Cantareira atinge maior nível dos últimos 15 meses, em outubro O Sistema Cantareira terminou outubro com 51,2% do volume útil armazenado, segundo dados da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), atualizados neste sábado (31). O índice é o segundo maior registrado para o mês nos últimos dez anos, atrás apenas de 2023, quando o sistema estava com 72,9%. O resultado representa uma recuperação em relação a outubro de 2025, quando o Cantareira registrava 23,4% do volume útil. Apesar da melhora, o sistema continuará na Faixa 2 – Atenção em novembro, com restrições para a retirada de água. 💦 O Cantareira é composto por seis represas principais: Jaguari, Jacareí, Atibainha, Cachoeira, Paiva Castro e Águas Claras. Os três primeiros reservatórios ficam no Vale do Paraíba e na região bragantina. Como estava o Cantareira nos últimos anos? O volume armazenado no Sistema Cantareira no fim de outubro de 2026 é o segundo maior registrado para o período desde 2016. O índice atual, de 51,2%, fica atrás apenas de 2023, quando os reservatórios estavam com 72,9% da capacidade útil. Veja como estava o volume do Cantareira em 31 de outubro desde 2012, de acordo com a Sabesp: 2026: 51,2% 2025: 23,4% 2024: 46,6% 2023: 72,9% 2022: 31,8% 2021: 28,1% 2020: 35,1% 2019: 41,3% 2018: 34,5% 2017: 46,3% 2016: 43,1% 2015: -13,2% 2014: -16,9% 2013: 36,8% 2012: 55,7% Sistema Cantareira Pablo Jacob/GESP/Arquivo Chuvas acima da média Em outubro, o Cantareira acumulou 210,8 milímetros de chuva, volume cerca de 62% superior à média histórica para o mês, de 130,1 milímetros. Na atualização deste sábado (31), às 9h, o volume armazenado chegou a 51,2%, com aumento de 0,5 ponto percentual em relação ao dia anterior. Limite para retirada de água A classificação operacional para novembro considera o volume armazenado no último dia útil de outubro, sexta-feira (30). Naquela data, o Cantareira registrava 50,69% do volume útil, índice que mantém o sistema na Faixa 2 – Atenção. Nessa condição, a Sabesp pode captar até 31 metros cúbicos de água por segundo (m³/s). Quando o sistema alcança a faixa normal, com pelo menos 60% do volume útil armazenado, o limite sobe para 33 m³/s. A diferença é de 2 m³/s, o equivalente a 2 mil litros de água por segundo. Esse é o volume adicional que poderia ser captado caso o sistema atingisse a faixa normal. A regra faz parte de um sistema de controle criado após a crise hídrica de 2014 e 2015, quando uma forte estiagem, provocada pela falta de chuvas e agravada pelas altas temperaturas, reduziu drasticamente os níveis dos reservatórios. Na época, foi necessário recorrer ao chamado volume morto para garantir o abastecimento, em meio à escassez de água em diferentes regiões. De acordo com as regras estabelecidas desde então, quanto menor o volume armazenado, menor é a quantidade de água que a Sabesp está autorizada a retirar dos reservatórios. Veja os limites abaixo: Normal: a partir de 60% do volume útil. A retirada pode chegar a 33 m³/s. Atenção: entre 40% e menos de 60%. O limite é de 31 m³/s. Alerta: entre 30% e menos de 40%. O limite é de 27 m³/s. Restrição: entre 20% e menos de 30%. O limite é de 23 m³/s. Especial: abaixo de 20%. A retirada pode chegar a 15,5 m³/s. Imagem aérea da Represa Jaguari, que faz parte do Sistema Cantareira LUIS MOURA/WPP/ESTADÃO CONTEÚDO Volume do Cantareira subiu após período de chuvas A recuperação do sistema ganhou força nos últimos meses, especialmente em setembro e outubro. Segundo os dados da Sabesp, o volume útil passou de 41,1% em 30 de setembro para 50,69% em 30 de outubro. O aumento foi de 9,59 pontos percentuais em apenas um mês. Em agosto, o Cantareira havia encerrado o mês com 32,99% do volume útil, nível que o colocava na faixa de alerta. Os dados de chuva também mostram volumes expressivos no período. Em setembro, foram registrados 283,5 milímetros de precipitação. Em outubro, o acumulado chegou a 210,4 milímetros até o dia 30. Na atualização de 31 de outubro, o acumulado mensal de chuva no Cantareira chegou a 210,8 milímetros. A melhora no armazenamento, no entanto, não significa que o sistema já tenha recuperado o nível considerado normal. Para isso, precisa alcançar pelo menos 60% do volume útil. Desde julho, El Niño já prejudicou 7 milhões de brasileiros em mais de mil cidades Jornal Nacional/ Reprodução Como o El Niño pode influenciar as chuvas? A previsão climática para os próximos meses também entra no cenário de recuperação dos reservatórios. O El Niño, fenômeno caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial, deve ganhar intensidade e pode atingir níveis muito fortes a partir de novembro. O boletim do Painel El Niño, divulgado por órgãos como o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), indica maior probabilidade de chuvas acima da média entre novembro de 2026 e janeiro de 2027 em partes do Sudeste, além do Sul e de áreas do Centro-Oeste. O documento também aponta tendência de temperaturas acima da média em quase todo o país. Em entrevista ao g1 em outubro, o pesquisador do Inpe Gilvan Sampaio explicou que o fenômeno pode favorecer temperaturas mais altas e chuvas irregulares no Sudeste. Na região, a precipitação pode ocorrer em pancadas mais intensas, em vez de períodos prolongados de chuva. Isso não significa necessariamente que o volume total de chuva será menor. No entanto, a distribuição irregular das precipitações pode trazer desafios para o abastecimento e aumentar o risco de alagamentos, inundações e deslizamentos em áreas vulneráveis. “Nós teremos chuvas agora durante a primavera e o verão, mas em forma de pancadas. Chuvas intensas em forma de pancadas. Nós estamos mais sujeitos a enchentes, inundações, deslizamentos em cortes", explicou Gilvan. A previsão de chuva acima da média em parte do Sudeste é um indicativo favorável para os próximos meses, mas não garante, por si só, a recuperação do Cantareira. O armazenamento depende também da quantidade de água que chega aos reservatórios, das condições de cada bacia e do volume retirado para abastecimento. Represa do Jaguari, do Sistema Cantareira Lucas Rangel/TV Vanguarda Sistema abastece milhões de pessoas O Sistema Cantareira é um dos principais mananciais de abastecimento do estado de São Paulo. Ele atende cerca de metade da população da Região Metropolitana de São Paulo e também contribui para o abastecimento de Campinas e de municípios das bacias dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí. O sistema é formado por cinco reservatórios interligados: Jaguari, Jacareí, Cachoeira, Atibainha e Paiva Castro. Juntos, eles têm volume útil total de aproximadamente 981,56 bilhões de litros. Desde 2018, o Cantareira também conta com a interligação entre a represa da Usina Hidrelétrica Jaguari, na bacia do rio Paraíba do Sul, e a represa Atibainha, o que amplia as possibilidades de transferência de água entre as bacias. Veja mais notícias do Vale do Paraíba e região bragantina

FONTE: https://g1.globo.com/sp/vale-do-paraiba-regiao/noticia/2026/11/01/cantareira-fecha-outubro-com-segundo-maior-nivel-para-o-mes-em-10-anos-mas-segue-em-atencao.ghtml


#Compartilhe

Aplicativos


Locutor no Ar

Peça Sua Música

Top 5

top1
1. Cobaia

Lauana Prado

top2
2. Cem Mil

Gustavo LIma

top3
3. Surto de Amor

Bruno e Marrone

top4
4. Refém

Dilsinho

top5
5. Pra Você Acreditar

Ferrugem

Anunciantes