Prefeitura de SP investiga suspeita de enriquecimento ilícito de fiscal que liberou obras em prédio que desabou na Zona Leste

  • 16/09/2026
(Foto: Reprodução)
Desabamento de prédio na Penha, Zona Leste de SP TV Globo A Prefeitura de São Paulo abriu um inquérito administrativo para apurar possível enriquecimento ilícito e inconsistências patrimoniais da arquiteta e fiscal municipal Viviane Rodrigues de Palma, a mesma servidora que assinou, em 2024, o laudo de fiscalização que permitiu a continuidade das obras no edifício que desabou na Penha, na Zona Leste da capital, deixando seis mortos no último sábado (12). A investigação foi instaurada pela Controladoria Geral do Município (CGM) em maio de 2025 e também apura "eventuais atos de improbidade administrativa", conforme despacho acessado pelo g1. A decisão menciona esclarecimentos apresentados pela servidora sobre a origem de recursos financeiros, aponta a existência de valores considerados sem justificativa suficiente e determina o aprofundamento da investigação. Quatro pessoas devem ser indiciadas pelo desabamento na Penha Quatro meses depois, a defesa da fiscal foi convocada para se manifestar no processo. "Uma vez constatada a inconsistência patrimonial, cabe à Indiciada provar a licitude tanto de seus bens quanto de suas movimentações financeiras, durante a instrução do Inquérito Administrativo. A mera alegação não a desincumbe do ônus da prova peculiar deste tipo de processo", diz a intimação. Por meio de nota, a gestão Ricardo Nunes (MDB) informou que a apuração teve início em 2020 e ainda não foi encerrada. "A servidora foi interrogada, houve apresentação de manifestação pela defesa e o processo segue em andamento", diz posicionamento enviado ao g1. Procurada pela equipe de reportagem, a advogada de defesa de Viviane disse que ela prestou todas as informações e os esclarecimentos que foram solicitados no processo e não recebeu nova intimação desde que apresentou extratos bancários à CGM em 2025. A fiscal municipal Viviane Rodrigues de Palma Reprodução/TV Globo Viviane Rodrigues de Palma está afastada do cargo por 120 dias enquanto a prefeitura apura sua atuação no caso do edifício que ruiu na Rua Tequici. Em depoimento prestado à CGM nesta semana, a servidora afirmou que vistoriou o imóvel apenas pelo lado de fora em fevereiro de 2024, porque não conseguiu acessar a construção. Segundo a servidora, não havia trabalhadores no local no momento, e o prédio aparentava estar abandonado. O depoimento contrasta com o relatório assinado pela própria servidora após a inspeção. No documento, Viviane registrou que a obra estava em fase final da execução estrutural e concluiu que a demolição de uma estrutura anterior com seis pavimentos, exigida pela prefeitura, havia sido realizada "em sua integralidade", dando lugar a uma nova edificação em andamento. Segundo a prefeitura, o empreendimento acumulava um histórico de irregularidades e já havia sido alvo de fiscalizações, multas e interdições pela Subprefeitura da Penha. Em 2021, o município chegou a acionar a Justiça para pedir a demolição da construção irregular no local após sucessivos descumprimentos das determinações administrativas. Uma das autuações aplicadas à obra chegou a R$ 119 mil. Bombeiros encontram corpo de criança desaparecida após desabamento de prédio em SP Investigação policial Uma investigação da Polícia Civil caminha para responsabilizar criminalmente os envolvidos no caso do prédio que desabou. Segundo o delegado seccional de Itaquera, Antônio José Pereira, ao menos quatro pessoas deverão ser indiciadas por homicídio com dolo eventual, quando se entende que os investigados assumiram o risco de produzir o resultado fatal ao manter a obra em andamento apesar dos riscos existentes. Entre os alvos do indiciamento estão os empresários Ronaldo dos Santos Vivaqua, Cristiano Salgado Vivaqua e Isis de Freitas Rodrigues Brandão, apontados pela polícia como responsáveis pelo empreendimento, além da fiscal municipal Viviane Rodrigues de Palma. A investigação apura se houve omissões e irregularidades tanto na condução da obra quanto na fiscalização do empreendimento. Nesta semana, a Justiça manteve a prisão temporária de Ronaldo dos Santos Vivacqua, apontado pelos investigadores como sócio oculto da construtora New Home. Já Cristiano Salgado Vivacqua, engenheiro e responsável técnico pelo projeto, e Isis de Freitas Rodrigues Brandão, que figura formalmente como proprietária da empresa, tiveram a prisão decretada e são considerados foragidos. Prefeitura de SP paralisa 29 empreendimentos de construtoras investigadas após desabamento em obra na Zona Leste Ao todo, 12 pessoas já prestaram depoimento. Paralelamente à investigação criminal, a Prefeitura de São Paulo determinou a paralisação de 29 empreendimentos ligados às construtoras ligadas ao edifício que desabou. Em nota enviada à TV Globo, a New Home Construtora disse que permanece à disposição das autoridades e está prestando apoio às famílias atingidas pela tragédia na Rua Tequici. Os advogados de defesa do empresário Ronaldo dos Santos Vivaqua pediram pediram que a prisão temporária seja convertida em prisão domiciliar humanitária por causa de problemas de saúde. Já a defesa de Cristiano Salgado Vivaqua e Isis de Freitas Rodrigues Brandão afirmou que ambos pretendem se apresentar voluntariamente às autoridades e colaborar com as investigações. Em nota pública, os advogados sustentam que os dois não foram formalmente intimados para depor e negam que estejam foragidos. Segundo a defesa, eles se afastaram por questões de segurança após receberem ameaças, inclusive contra seus filhos, e deverão prestar esclarecimentos ainda neste mês.

FONTE: https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2026/09/16/prefeitura-de-sp-investiga-suspeita-de-enriquecimento-ilicito-de-fiscal-que-liberou-obras-em-predio-que-desabou-na-zona-leste.ghtml


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