Risco de ataques e desequilíbrio ambiental: entenda por que superpopulação de quatis preocupa em Piracicaba

  • 07/04/2026
(Foto: Reprodução)
Quatis em Piracicaba: presença dos animais silvestres preocupa; prefeitura avalia medidas de manejo Prefeitura de Piracicaba A presença de quatis em áreas urbanas de Piracicaba (SP) acendeu um sinal de alerta na prefeitura, que aponta que há uma superpopulação desses animais no município e avalia medidas de manejo e controle. Mas por que essa preocupação? Segundo o zoólogo Alexandre Percequillo, especialista em mamíferos da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq-USP) e membro do projeto Corredor Caipira, os quatis podem ser agressivos e espantar outros animais, que podem ter sua população reduzida. A orientação é para a população não chegar perto deles, o que inclui não os atacar. "Eles têm dentes aguçados, afiados, fortes. Podem morder, então é um problema sério eles começarem a atacar pessoas da população se ficarem com fome. Eles podem atacar crianças e adultos também", diz. 📲 Siga o g1 Piracicaba no Instagram 🍌 O lixo descartado de forma irregular e o hábito de moradores e visitantes de alimentar os animais favorecem a permanência e reprodução deles. Com acesso fácil a restos de comida, os quatis deixam de depender de seus hábitos naturais. Presença de quatis em áreas urbanas de Piracicaba acendeu sinal de alerta e prefeitura aponta superpopulação desses animais Claudia Assencio/g1 Circulação do vírus da raiva Segundo Alexandre, os quatis e também outros mamíferos silvestres se aproveitam até mesmo de alimentos que as pessoas costumam oferecer para gatos domésticos abandonados. Essa situação pode favorecer, inclusive, a circulação do vírus da raiva. "Onde come o gato, come o quati, come o gambá, come a raposa, come o sagui. E o vírus da raiva circula no município. Outro dia, apareceu uma matéria falando de um morcego que foi encontrado contaminado com o vírus da raiva. Tem uma transferência horizontal no vírus da raiva nesses comedores", afirma. A presença dos quatis também pode causar um desequilíbrio ambiental, pois impacta na população de outros animais. "Eles podem fazer com que haja uma diminuição da população de outros animais, como pequenos mamíferos, pequenos anfíbios, pequenos répteis, porque eles, como animais generalistas, comem vários outros animais. Eles podem atacar esses indivíduos de outras espécies, levando a um desequilíbrio. Então, qualquer superpopulação não é adequada, não é uma coisa boa", explica o especialista. Risco de ataques e desequilíbrio ambiental: entenda por que superpopulação de quatis preocupa em Piracicaba Claudia Assencio/g1 Animais sociais Segundo o zoólogo, os quatis são animais sociais e formam grandes grupos, que contam com fêmeas adultas e jovens. Os machos adultos, por outro lado, são solitários e agressivos. "A gente tem exemplos de outros lugares no Brasil, como Foz do Iguaçu (PR), no Parque Nacional, em que você tem populações grandes. E esses quatis roubam comida das pessoas, roubam comida de crianças", descreve. Alexandre também reforça que, de fato, houve um aumento na quantidade de quatis em Piracicaba e que a prefeitura tem razão de se preocupar com essa questão. "Quando eu cheguei em Piracicaba, 20 anos atrás, eu raramente vi um quati ali na estrada do Monte Alegre. E era um acontecimento. Hoje eles estão em todos os lugares. Ou seja, a população aumentou muito", acrescenta. Monitoramento A prefeitura informou que acompanha a presença dos animais e busca alternativas que garantam o equilíbrio ambiental e o bem-estar animal. Segundo administração, medidas de manejo e controle são avaliadas e serão aplicadas se houver necessidade comprovada. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Piracicaba no WhatsApp O Executivo destaca, ainda, que a proximidade entre pessoas e animais silvestres eleva o risco de transmissão de doenças e expõe os próprios quatis a condições inadequadas fora de seu habitat. Zoólogo Alexandre Percequillo, especialista em mamíferos da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq-USP) e membro do projeto Corredor Caipira, os quatis podem ser agressivos e espantar outros animais, que podem ter sua população reduzida Rafael Bitencourt/Corredor Caipira Orientações à população Segundo Alexandre, as pessoas devem manter distância dos quatis, por se tratarem de animais considerados selvagens, apesar de passarem impressão de que são mansos. "Eles podem estar acostumados à presença humana, mas, quando se sentirem ameaçados, eventualmente eles irão reagir, e a reação pode vir em forma de ataque", alerta. Conforme o especialista, além de não se aproximar dos quatis, a população também não deve alimentá-los de forma alguma. "Não faça isso, porque ele vai se habituar à comida, vai achar que aquela casa, aquele local, é um lugar aonde ele vai sempre conseguir comida, vai se sentir mais confiante. E aí, com isso, vai poder, eventualmente, invadir uma casa." O zoólogo também orienta que, em locais onde há maior presença de quatis, as pessoas mantenham suas lixeiras bem fechadas, para os animais não terem acesso aos restos de comida. VÍDEOS: Tudo sobre Piracicaba e região S Veja mais notícias sobre a região na página do g1 Piracicaba.

FONTE: https://g1.globo.com/sp/piracicaba-regiao/noticia/2026/04/07/risco-de-ataques-e-desequilibrio-ambiental-entenda-por-que-superpopulacao-de-quatis-preocupa-em-piracicaba.ghtml


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